Diz Daisaku Ikeda que, no Japão, as batatas das montanhas, a que chamam taros, quando colhidas são ásperas e sujas, mas quando colocadas numa bacia com água corrente e revolvidas umas com as outras, a suas cascas vão caindo, deixando-as brilhantes e limpas, prontas para cozinhar. Da mesma forma, a única maneira de aprimorarmos e polirmos os nossos caracteres só pode ser através da interacção com os outros.
Para mim, a relação com os outros é o maior e mais ambicioso dos desafios. Desde sempre, aquilo que mais me faz sofrer é a manipulação. Se a sinceridade genuína abre os corações, a manipulação faz com que se fechem; o trabalho de abrir o coração é uma luta extenuante comigo própria. É-me particularmente fácil arranjar desculpas para erguer muros ou fugir da manipulação; e orgulhosamente procuro que ninguém me engane mais do que me engano a mim própria. Quem melhor do que os outros para me fazerem ver quando sou parcial? Ou para me fazerem erguer os olhos quando o medo me faz olhar apenas para baixo, perdendo de vista a linha tão bela do horizonte que me mostra que o futuro não existe senão nesse momento?
Comecei a praticar quando atravessava um momento da minha vida em que me deparei com uma experiência muito chocante e crua. No meio de muita perplexidade, confusão e medo a minha mãe Chakubuku deu-me a ler um texto de Daisaku Ikeda que me ajudou a confirmar e a aceitar que a felicidade não é algo que se possa dar aos outros (tal como não o é o respeito pela vida). Mas a fé tem-me feito ganhar consciência e desde há quatro anos que venho a descobrir que são insondáveis e profundas as raízes do amor. Ele tem o poder de revelar o nosso potencial e de expandir a nossa vida, fazendo-nos desejar o impossível mais inacreditavelmente bom. E sendo totalmente oposto a todas as manifestações do medo e da desconfiança que nos aprisionam, é também energia pura contra todas as adversidades, que se estende dos nossos corações a todos os outros, se for sincero.
Quando era criança, fiz um desenho, que representava um homem e uma mulher erguendo um cartaz com a frase: "AMOR a palavra mais BELA do MUNDO". Anos mais tarde, voltei a vê-lo, e com uma profunda tristeza acreditei que não iria nunca mais fazer parte de mim, e também constatei que quando eu era criança o amor era apenas um desejo, enquanto que a desarmonia e violência eram reais. Hoje, é a minha vida que me faz perceber que o amor é a mais humana e a mais bela realidade do mundo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário